O volume de pendências financeiras acumuladas por pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras e seus respectivos sócios majoritários atingiu a marca de R$ 80,6 bilhões. O dado foi revelado pela sétima edição do Panorama PME, estudo trimestral elaborado pela Serasa Experian, que aponta como principais gargalos as despesas com cartão de crédito e as linhas de capital de giro, em um ambiente econômico marcado por taxas de juros elevadas.
O levantamento aponta que a combinação de atrasos no cartão de crédito e no capital de giro responde por R$ 40,3 bilhões do montante total negativado. O endividamento atrelado exclusivamente ao cartão de crédito soma R$ 25,3 bilhões, enquanto os débitos relativos apenas ao capital de giro representam R$ 15 bilhões.
Embora o grupo de empresas que enfrentam inadimplência simultânea com seus proprietários represente apenas 5,5% do total de 24,8 milhões de negócios analisados pela Serasa Experian, esse segmento é o que concentra os volumes mais expressivos de débitos. A pesquisa considerou PMEs com faturamento anual de até R$ 300 milhões e definiu a inadimplência com base em atrasos iguais ou superiores a 30 dias.
O estudo também identificou outros perfis de comportamento financeiro. Entre as empresas pesquisadas, 2,2% apresentam contas em atraso enquanto os seus sócios se mantêm com o nome limpo — grupo que responde por R$ 43,9 bilhões em débitos. A grande maioria das PMEs analisadas (92,2%) não possui inadimplência nas modalidades de crédito avaliadas. Desse grupo saudável, 52,2% têm tanto a empresa quanto o proprietário regulares, e 40% possuem sócios inadimplentes, mesmo com a empresa em dia.
A análise setorial indica que o segmento de Serviços concentra a maior quantidade de registros de inadimplência, totalizando 48,8% das ocorrências. No entanto, o Comércio lidera em valores financeiros devidos, com R$ 16,1 bilhões em atraso para R$ 35,3 bilhões em crédito contratado. O setor de Serviços aparece logo em seguida, registrando R$ 16 bilhões em pendências de um montante de R$ 31,5 bilhões em crédito tomado.
De acordo com a pesquisa, o tempo de mercado do negócio também influencia o nível de endividamento. As empresas mais maduras, com tempo de atuação entre 10 e 20 anos, lideram o volume de crédito tomado (R$ 26,7 bilhões) e registram R$ 11,6 bilhões em atrasos. Os negócios que operam entre 5 e 10 anos concentram R$ 13,5 bilhões em pendências, enquanto as empresas mais novas, com idade entre 1 e 5 anos, acumulam R$ 9,7 bilhões em débitos.























